Ondas de choque sob as ondas: como cabos submarinos mudam o comportamento dos caranguejos
- The daily whale
- 20 de out. de 2025
- 2 min de leitura
À medida que o mundo se esforça para construir uma infraestrutura energética mais sustentável, uma perspectiva ecológica menos cautelosa está emergindo do fundo do mar. Do Mar do Norte à Baía de Bengala, cientistas descobriram que os campos eletromagnéticos (CEM) emitidos por cabos de energia submarinos — que conectam parques eólicos offshore a redes de dados — podem estar afetando uma das criaturas mais resilientes do oceano: os caranguejos.
Pesquisas recentes mostram que caranguejos-de-bolso ( Cancer pagurus ) e outras espécies bentônicas são particularmente sensíveis a campos eletromagnéticos gerados por cabos de transmissão de corrente contínua de alta tensão (CCAT) em águas costeiras. Esses cabos transportam eletricidade de turbinas eólicas offshore para a terra, criando halos eletromagnéticos invisíveis que se estendem por vários metros ao seu redor.
Em experimentos controlados, pesquisadores observaram que caranguejos expostos a campos eletromagnéticos exibiram padrões de atividade alterados. Em vez de forragear ou se movimentar livremente, frequentemente ficavam preguiçosos e tendiam a se reunir logo acima dos cabos, aparentemente atraídos pelos campos magnéticos. Em última análise, esse comportamento pode ter consequências graves. "Os caranguejos usam sinais magnéticos para se orientar, procurar alimento e até mesmo escolher locais de reprodução", explica o Dr. Suresh Karunaratne, ecologista marinho que estuda esse fenômeno na costa oeste do Sri Lanka. "Interromper esses sinais pode afetar seus ciclos naturais e, em última análise, a saúde de sua população."
Os impactos potenciais vão além das espécies individuais. Os caranguejos desempenham um papel importante nos ecossistemas marinhos como predadores e necrófagos, reciclando nutrientes e mantendo o equilíbrio do fundo do mar. Se perturbações eletromagnéticas interromperem sua distribuição ou reprodução, cadeias alimentares inteiras podem ser afetadas. Os pescadores já estão percebendo as primeiras mudanças. "Antes, pescávamos constantemente nas mesmas áreas rochosas", comentou um pescador de Galle. "Agora, os caranguejos parecem se mover de forma imprevisível."
No entanto, cientistas recomendam cautela antes de tirar conclusões precipitadas. A exposição a campos eletromagnéticos varia de acordo com o projeto do cabo, a carga atual e as condições do fundo do mar. Alguns pesquisadores afirmam que os riscos podem ser reduzidos por meio de melhor blindagem e instalação cuidadosa dos cabos. Associações do setor começaram a financiar programas de monitoramento de longo prazo para melhor compreender e mitigar potenciais impactos.
O debate destaca o maior desafio da transição energética: conciliar o progresso tecnológico com a responsabilidade ambiental. À medida que os países se esforçam para desenvolver parques eólicos offshore e conexões de dados subaquáticas, as consequências invisíveis da poluição por poeira eletromagnética devem estar no centro das discussões.
Em última análise, a história dos caranguejos e dos cabos submarinos nos lembra que mesmo as tecnologias mais limpas podem ter impactos inesperados na natureza. Nossa tarefa é garantir que o murmúrio silencioso do progresso humano não abafe o ritmo delicado da vida subaquática.
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